Páginas

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Montevideo

Sonho que lia cartas manchadas de lágrimas, com palavras juntas e concisas; sobre outrora. E com a visão meio míope enxergo com clareza e sem rodeios o que você quis me dizer, e nunca soube.
E assim, o despertador agudo barulhento avisa que está na hora de acordar. Tenho um presságio, sinto que o momento será como o dia cinzento do nublado que faz lá fora. É assim que o relógio mostra quatro horas da madrugada, e já cinzenta do nublado. Todas as casas caladas, todos os moleques em casa, todos os poetas; casam com a solidão gelada de uma folha branca.
Agora o ponteiro marca um número ímpar, são sete da manhã e tudo começa aqui, na mesa do pão e do café preto sem leite e âmago, do seu suor. E do vinho que beberei para me embriagar de sua lembrança, começo a escrever sobre nossa vida de uma forma bonita e despretensiosa. Você que mal sabe da existência de tais pensamentos na parede azul do quarto, letras escondidas detrás das estrelas e debaixo do colchão que você deita nas noites de amor.
Finalmente o ponteiro marca a boa tarde, sinto o vento bater nas costas alvirrubra de suas unhas. De verso em verso narro o nosso futuro, bonito e incerto, sem saber se no amanha acordaremos na mesma cama, seja como amigos ou amantes.
E nem a fina dor de cabeça que sinto neste exato momento, facilitará as palavras do realejo que canta lá fora para você. Da janela do quarto sinto seus cuidadosos passos, a cuidar da menina que sou á mulher que seria.
Minhas mãos pedem para parar, não agüento escrever sobre você sem escorrer um só oceano em mim, é uma agonia.
Estou partindo hoje bem cedo, te comprei flores e já fiz o papel de colocá-las em águas árticas. Provavelmente estarei longe de ti e do amor que levo na mala comigo, ao você ler estas frases livres e determinadas. E se percebeu bem deixei-te uma passagem de ida sem volta, ao encanto do que sempre lhe pertenceu.

27 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. que isso, esse trecho foi bastante complexo e com palavras exageradas, mas demonstra que a tristeza pode produzir grandes textos!

    ResponderExcluir
  3. Caramba Bruno!!
    Que lindo!!
    Acho tão legal quem faz "escritos",sem ser piegas ou cafona
    Parabéns!!
    Existe aquela linha tênue para se fazer um bom "escrito" rs
    Você consegue!!
    Vou ser "perseguidora "do seu Blog
    Beijokas!!
    Vanessa

    ResponderExcluir
  4. Um texto que se expressa ou soa com simplicidade, mas com um grande encanto. Deveras os sofrimentos do amor. Ah, eu já te sigo.
    Arianne!

    ResponderExcluir
  5. Outra linda postagem,e mais uma mentira sincera minha. rs
    Adoro aqui.

    ResponderExcluir
  6. Muiito interessante isso ai..

    Seu bolg esta lindo parabens.

    tô te seguindo,segue tambem?

    Um iluminado 2011 pra ti.

    beiiijo;**

    ResponderExcluir
  7. Singelo,poético,sublime.

    Vc tem talento moço.

    Beijos!

    ResponderExcluir
  8. Que lindoo'
    ameii ..seguindoo
    bjos
    http://dapraentende.blogspot.com

    ResponderExcluir
  9. Rapaz...
    Vc segue me surpreendendo. Lindo texto, meio diferente dos que eu tava acostumado a ver vc fazer.
    A tristeza segue sendo a inspiração para os poetas, hein?
    E o melhor de tudo: Assinando como Bruno Moura? É pra sua mãe não achar que é algum primo distante? =P

    ResponderExcluir
  10. Impossível apenas ler as suas palavras, cada uma delas precisam ser sentidas para se chegar ao entendimento. Parabéns pela causa e efeito.

    ResponderExcluir
  11. Belo! Sempre da alma, da
    tua alma.

    Flores!

    ResponderExcluir
  12. muito bom seu texto Bruno, que profundo. parabéns
    estou te seguindo.
    Posso divulgar seu Blog em meu Blog?
    Sucesso!

    ResponderExcluir
  13. Não se exalta arte nem a língua portuguesa quando inexiste o pensar criativo.

    O Bruno é este oposto! Tem um bom texto, destes deliciosamente doces de se ler.

    E que fique muito bem explicado que só os inteligentes e romanticamente criativos podem escrever desta forma.

    Seguir este blog é um como um adorável e proposital devaneio...

    ResponderExcluir
  14. Erico,

    Não o conheço e confesso que o seu comentário me emocionou, no sentindo que escrevo para os de alma sensivel e percebo, que você é um desses.
    Obrigado!

    ResponderExcluir
  15. Como não se envolver com suas palavras? Um escrito em certos momentos angustiante, em outros apaixonante.
    Parabéns por saber tão bem tocar os leitores lá no fundo, onde é difícil chegar.

    ResponderExcluir
  16. Muito bom, como sempre!
    "Todas as casas caladas, todos os moleques em casa, todos os poetas; casam com a solidão gelada de uma folha branca..."

    Adorei :)
    Parabéns!!!

    ResponderExcluir
  17. Desculpa pela demora em retribuir seu comentário no TEORIA DO PLAYMOBIL, enfim, respondendo sua pergunta: Menina, que gosta de meninos e meninas, principalmente do segundo caso ;D

    www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

    ResponderExcluir
  18. Gostei da escreta...parabéns!

    volto depois com mais calma
    http://ligeiramenteblase.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  19. Lindão o texto! Putz!
    seguindo seu blog.

    www.blogdaesfinge.blogspot.com

    ResponderExcluir
  20. Muito lindo seus textos, principalmente esse *-* Já to seguindo aqui. http://estousemcriatividadenomomento.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  21. Ameiiiiiiiii tudo aqui...
    to te seguindo e adoraria te ver lá no meu blog:
    http://cronicasdeanjos.blogspot.com/
    bjsss

    ResponderExcluir
  22. Lindo texto Bruno.
    Bem escrito, e não tem como não se envolver em suas palavras tão bem escritas.
    Parabéns!
    Fé Fraga.
    http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com

    ResponderExcluir
  23. Caramba! que que é isso?!
    Que liiindo!

    Estou sem palavras, só restou dizer que acabou de ganhar mais uma fã!

    ResponderExcluir

Obrigado pelo seu comentário. A POESIA AGRADECE!